Guiné Bissau
Capital: Bissau
Presidente: José Mário Vaz
Continente: África
Língua oficial: Língua portuguesa
O processo de desenvolvimento da literatura guineense
Dentre as antigas colônias portuguesas, a Guiné-Bissau é o país onde a literatura mais demorou a se desenvolver. Esse atraso aconteceu devido o fato de ser uma colônia de exploração e não de povoamento, estando submetida ao governo geral da colônia de Cabo Verde por um bom tempo. A Guiné Bissau apresenta quatro diferentes fases de sua literatura: uma primeira fase anterior a 1945, uma segunda entre 1945 e 1970, uma outra entre 1970 e o fim dos anos 1980 e finalmente a fase iniciada na década de 1990. Para analisá-las é importante saber que a Guiné-Bissau é um país que foi colônia de Portugal desde o século XV e se tornou independente em 1973, sendo a primeira colônia portuguesa a conseguir independência.
Fase anterior a 1945 => Durante esse período Cónego Marcelino Marques de Barros teve destaque, o que ele escrevia era caracterizado por uma abordagem paternalista e próxima do discurso colonial. Fase entre 1945 e 1970 => Nesse período surgem os primeiros poetas guineenses, dentre os mais conhecidos estão Vasco Cabral e António Baticã Ferreira. A literatura desse período é caracterizada pela poesia de combate, que criticava a miséria, o domínio e a péssima qualidade de vida que ele gerava e a luta pela independência.
Fase entre 1970 e fim dos anos 1980 => Alguns dos poetas mais marcantes desse período foram Agnelo Regalla, António Soares Lopes (Tony Tcheca), em suas obras eles apresentavam um caráter mais social. Com a independência em 1973, a literatura da época começou a abordar temas como a construção de uma nação e a luta por um futuro melhor.
A partir da década de 1990 => Alguns dos poetas mais marcantes desse período foram Agnelo Regalla, António Soares Lopes (Tony Tcheca), em suas obras eles apresentavam um caráter mais social. Com a independência em 1973, a literatura da época começou a abordar temas como a construção de uma nação e a luta por um futuro melhor.
Depois desses quatro períodos da poesia, em 1993 a prosa começou a ser desenvolvida por Domingas Sami. A literatura atual da Guiné-Bissau aborda constantemente os mesmos temas, ela retrata as desilusões, os medos e os desejos da população perante a situação política, social e econômica presente no país.
Cultura
A Guiné-Bissau possui uma herança cultural bastante rica e diversificada, tendo em conta as mais de trinta etnias presentes neste território. Esta cultura, que varia de etnia para etnia, atravessa a diferença linguística, a dança, a expressão artística, a profissão, a tradição musical até as manifestações culturais. A dança e a música são muito marcantes nas diferentes etnias. No dia-a-dia, as manifestações culturais podem ser observadas na altura das colheitas, dos casamentos, dos funerais, das cerimónias de iniciação. No entanto, a diversidade une-se na cultura crioula, dialeto que une as pessoas das diferentes etnias.
Nas cidades, a música é dominada pelo conhecido gumbé guineense. O carnaval tem uma grande importância e é celebrado de uma forma peculiar: para além das máscaras, os guineenses fazem sobressair sobretudo os trajes tradicionais das diferentes etnias do país. É, portanto, um carnaval completamente original, constituindo-se como uma das maiores manifestações culturais do país.
A cultura do país reflete-se também na arte bijagó, arte fula, arte mandinga, arte nalú, cestaria, olaria, tecelagem e outros.
AGNELLO REGALLA
Campeane, Guiné Bissau, 1952.
Jornalista.
O ECO DO PRANTO
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança
Não...
A voz da criança
É suave e mansa
É uma voz que dança...
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança
Parece mais
Um grito sem esperança
Um eco
Partindo de fundo de um beco
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança,
Essa é doce e mansa
É uma voz que dança...
Esta parece mais
Um grito sufocado sob um manto
- O Eco do Pranto.
AMAR
Amar
É o mesmo que escrever
Docemente,
Amargo,
Mas incompleto.
É o mesmo que escrever
Docemente,
Amargo,
Mas incompleto.
FLOR NOCTURNA
Flor nocturna
Que com a lua
Desabrochas em meus braços
Flor soturna
Que pelas sombras da rua
Guias teus passos,
Flor amiga
Com pétalas de estrelas
E résteas de luar
Deambula noctívaga
Pelas vielas
E vem-me abraçar.
ÁTOMO
Vi uma criança
Dobrar-se inocente
Sob o peso da bomba.
Vi o átomo
Desagregar-se em morte
E cobrir em cogumelo
A Humanidade,
E lágrimas de sangue
Ergueram-se
Em ogiva
Sobre o deserto,
E lá longe,
Uma pomba branca
Vi uma criança
Dobrar-se inocente
Sob o peso da bomba.
Vi o átomo
Desagregar-se em morte
E cobrir em cogumelo
A Humanidade,
E lágrimas de sangue
Ergueram-se
Em ogiva
Sobre o deserto,
E lá longe,
Uma pomba branca
Que sobreviveu
Sem arca e sem Noé
Chorou a loucura do Homem.
Sem arca e sem Noé
Chorou a loucura do Homem.
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/guine_bissau/agnello_regalla.html


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